O novo passo da Hashdex: contratos futuros de cripto na maior bolsa de derivativos do mundo
A Hashdex, gestora brasileira com cerca de R$ 8 bilhões sob gestão, anuncia um movimento estratégico que redefine o status das criptomoedas no mercado financeiro global. A empresa, em parceria com a Nasdaq, desenvolveu um índice que se tornou referência mundial. Agora, a Bolsa de Chicago (CME), a maior bolsa de derivativos do planeta, lança contratos futuros baseados neste índice, marcando a entrada oficial das criptomoedas em um novo patamar de institucionalização e sofisticação.
Esta iniciativa representa um divisor de águas para o setor. Segundo Marcelo Sampaio, cofundador e CEO da Hashdex, a disponibilidade de futuros e opções na CME sinaliza que as criptomoedas deixam de ser apenas moedas isoladas para serem reconhecidas como uma classe de ativos. Isso abre portas para a criação de produtos estruturados e estratégias de investimento complexas, anteriormente restritas a mercados tradicionais.
A parceria com a Nasdaq e a expansão global
A trajetória da Hashdex ganhou escala internacional com a colaboração com a Nasdaq, resultando em um índice que é frequentemente comparado ao “Ibovespa do mundo cripto”. Sampaio relembra que a Nasdaq reconheceu a oportunidade no setor e escolheu a empresa brasileira para desenvolver essa referência global. O índice permite que gestoras ao redor do mundo repliquem estratégias de investimento passivo em criptoativos.
A institucionalização do mercado cripto
O lançamento de contratos futuros na CME é visto por Sampaio como um marco na institucionalização do setor de criptoativos. “A maior bolsa de derivativos do mundo está dizendo: agora cripto é relevante, tem índice próprio e vai ter futuros e opções”, afirma o CEO. Essa validação por uma instituição tão proeminente aumenta a credibilidade e o interesse de investidores institucionais.
Volatilidade e a tese de investimento em cripto
Apesar do reconhecimento e da expansão, o mercado cripto continua a enfrentar a alta volatilidade. O Bitcoin, por exemplo, tem apresentado quedas significativas em seus valores. No entanto, Sampaio defende que cripto é um ativo estratégico para qualquer portfólio de longo prazo. Ele sugere que investidores conservadores aloquem pelo menos 5% em criptoativos.
Sampaio argumenta que a volatilidade não é inerentemente ruim, mas sim um sinal da relevância do ativo. “Cripto remunera muito bem o investidor paciente. Volatilidade não é ruim, é sinal de que o ativo vale alguma coisa relevante. A oportunidade está justamente nisso”, explica. Ele cita que o HASH11, produto da Hashdex, já apresentou rendimentos superiores a 100%, apesar de quedas pontuais de quase 70%.
A entrevista completa com Marcelo Sampaio aborda sua tese de investimento, o avanço da regulação no mercado cripto e responde a críticas de figuras proeminentes do mercado financeiro tradicional sobre as moedas digitais.