A ascensão da Nomad no cenário financeiro global
A história da Nomad é um testemunho da capacidade brasileira de inovar e conquistar mercados desafiadores. Fundada por Lucas Vargas, a fintech nasceu com a ambição de simplificar o acesso de brasileiros ao sistema financeiro global, uma missão que, em menos de seis anos, não só se concretizou como também alcançou um marco importante: a geração de caixa.
Nesta entrevista exclusiva, Lucas Vargas, CEO e cofundador da Nomad, compartilha os bastidores dessa jornada, desde o insight inicial até os planos ambiciosos para o futuro, que incluem a exploração de stablecoins e a possibilidade de um IPO. Prepare-se para mergulhar no universo da inovação financeira e entender como a Nomad se tornou uma peça chave para quem busca uma vida com exposição internacional.
Do mercado imobiliário à revolução financeira com a Nomad
Antes de se aventurar no universo das fintechs, Lucas Vargas dedicou mais de uma década ao mercado imobiliário digital, atuando em empresas como VivaReal e Grupo Zap. Foi um período de não concorrência, após a venda de sua empresa anterior, que o impulsionou a explorar novos setores, um movimento que se alinhou perfeitamente com a visão da Monashees, fundo que já havia investido em seus projetos anteriores.
A conexão com a Monashees foi crucial. Eles, com sua visão aguçada sobre tendências globais e lacunas no mercado brasileiro, apresentaram Lucas aos seus futuros cofundadores, que já gestavam a ideia de uma solução para brasileiros que enfrentavam dificuldades para navegar pelo sistema financeiro global. A necessidade era clara: oferecer acesso a produtos e serviços financeiros fora do Brasil de forma simples e regulamentada.
Uma das primeiras grandes conquistas da Nomad foi desenvolver uma conta digital norte-americana para brasileiros em 2020, algo inédito na época. Esse feito exigiu um trabalho árduo com reguladores tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, garantindo que o produto nascesse em total conformidade. Em menos de cinco anos, a empresa atingiu um faturamento anual superior a US$ 100 milhões, superando desafios como a pandemia e crises econômicas, e hoje cresce a quase 100% ao ano, com caixa positivo.
O segredo por trás do sucesso e da geração de caixa da Nomad
O recente anúncio de que a Nomad atingiu o caixa positivo é um divisor de águas e, segundo Lucas Vargas, o ponto mais determinante para essa conquista foi a aposta em um time estável e sênior desde os primeiros dias da empresa. A maioria de seus reportes diretos está na companhia há quatro anos ou mais, um indicativo da solidez e da visão de longo prazo que permeia a cultura da fintech.
Desde a rodada de investimento Série A, a estratégia foi atrair profissionais com o potencial de construir uma empresa capaz de, um dia, ser listada em bolsa. Essa decisão de montar uma equipe pensando no futuro permitiu à Nomad navegar por momentos de crise com mais resiliência, mantendo o foco na construção de um negócio robusto e sustentável.
Um time coeso e experiente traduz-se em execução mais eficiente e uma capacidade aprimorada de planejar e implementar estratégias de longo prazo. Essa estabilidade não apenas facilitou a superação de obstáculos, mas também garantiu que a Nomad continuasse a inovar e a expandir seu portfólio de produtos de forma consistente, culminando na geração de caixa.
Expandindo o horizonte: produtos, adoção e o futuro da Nomad
Após a rodada Série B, a Nomad priorizou a expansão de seu portfólio de produtos de investimento, desenvolvendo novas soluções e adquirindo licenças importantes, como a da Nomad Wealth. Essa fase de construção foi acompanhada por uma redefinição da comunicação da empresa, que passou a se posicionar como uma plataforma financeira completa para quem tem exposição internacional.
Enquanto 2025 foi um ano de intensa construção, 2026 marca a fase de expansão e aprofundamento. O foco agora é aumentar a adoção dos produtos já existentes, aprimorar a explicação de suas funcionalidades e fortalecer o relacionamento com a base de clientes. Soluções como a Nomad Wealth, recém-lançadas, receberão investimento para ampliar seu uso e escala.
A estratégia central da Nomad continua a ser o cliente brasileiro com perfil afluente e exposição global. A empresa observa que, após cinco anos, esses clientes retornam e utilizam múltiplos produtos da plataforma, consolidando a Nomad como sua principal ferramenta financeira. Embora o foco inicial tenha sido o exterior, a fintech já planeja uma oferta mais completa de serviços também no Brasil, um movimento que ganhará mais prioridade nos próximos anos.
Stablecoins e a infraestrutura do amanhã na Nomad
As stablecoins representam uma frente de alta prioridade para a Nomad, sendo um tema já trabalhado desde 2024 em diversas áreas da empresa. Internamente, elas são vistas tanto como um componente para o desenvolvimento de produtos para o cliente final quanto como uma ferramenta para otimizar a infraestrutura da plataforma, tornando-a mais eficiente, robusta e com controles aprimorados.
Essa agenda pode evoluir ainda mais, impulsionada pelos avanços regulatórios no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, que trouxeram uma aceleração significativa para o tema em diferentes partes da indústria. A Nomad enxerga nas stablecoins uma oportunidade de construir um sistema financeiro mais eficiente e escalável, alinhado com sua visão de inovação.
Como uma fintech, o objetivo principal da Nomad é oferecer uma solução onde o cliente não precise se preocupar com a complexidade tecnológica por trás. A empresa se posiciona como um orquestrador de tecnologia, conectando o que for necessário para que a experiência do usuário seja sempre simples e intuitiva, independentemente da sofisticação da infraestrutura subjacente.
Além do marketing: a experiência do cliente como pilar da Nomad
A Nomad investiu consideravelmente em campanhas de marca ao longo dos anos, incluindo iniciativas de grande alcance como a estrelada por Will Smith e a abertura de uma sala VIP no aeroporto de Guarulhos. Essas ações são cruciais para gerar consciência e construir a reputação, especialmente em um setor onde a confiança é fundamental, pois se lida com o patrimônio das pessoas.
No entanto, Lucas Vargas enfatiza que, na prática, o que realmente faz o cliente permanecer na plataforma depois do primeiro contato é a experiência. O produto precisa funcionar de forma impecável. Em um mercado cada vez mais competitivo, com diversas soluções disponíveis, uma experiência realmente muito boa é o que elimina a necessidade de o cliente buscar alternativas.
A construção de uma experiência de usuário excepcional é, portanto, um pilar fundamental da estratégia da Nomad. O produto deve ser simples, intuitivo e, acima de tudo, surpreender positivamente. É essa combinação de funcionalidade e satisfação que garante a fidelidade do cliente e o incentiva a retornar e aprofundar seu relacionamento com a plataforma.
O desafio do CEO: equilibrando curto e longo prazo na Nomad
Para Lucas Vargas, o maior desafio como CEO da Nomad é o delicado equilíbrio entre a execução das demandas de curto prazo e a manutenção do foco na construção de uma visão de longo prazo. Ele lida diariamente com a responsabilidade de gerenciar questões de mercado, volatilidade e instabilidades, enquanto simultaneamente precisa garantir que a empresa continue avançando em sua estratégia futura.
Os resultados de hoje são frutos de decisões tomadas no passado, o que ressalta a importância de continuar pensando adiante, mesmo diante das pressões inerentes ao presente. Essa responsabilidade recai sobre o CEO, que muitas vezes precisa tomar decisões que podem não ser imediatamente compreendidas, seja internamente ou por agentes externos.
Além disso, a dificuldade em medir com precisão o impacto de cada decisão, especialmente no longo prazo, adiciona uma camada extra de complexidade. Navegar nesse cenário, conciliando essas duas frentes – a urgência do agora e a visão do amanhã – é, para Lucas Vargas, o principal desafio de sua posição na liderança da Nomad.
IPO e novas rodadas: o futuro financeiro da Nomad
O IPO (Oferta Pública Inicial) é uma rota possível para a Nomad nos próximos anos. A empresa vem se organizando para essa eventualidade há algum tempo, entendendo que as janelas de mercado são imprevisíveis e, portanto, é preciso estar sempre o mais preparado possível. A Nomad já é auditada há anos e sua estrutura de governança atende aos mais altos níveis exigidos pelas bolsas internacionais.
Em 2026, a Nomad avançou em pontos importantes, como a geração de caixa e métricas que se comparam, ou até superam, as de empresas já listadas no exterior. Isso significa que a empresa está em um estágio onde um movimento de IPO poderia ser considerado, embora não haja planos para que ocorra neste ano. A Nomad possui caixa suficiente para sustentar a operação, eliminando a urgência.
A decisão de um IPO depende de múltiplos fatores, como condições de mercado, expectativas de investidores e questões regulatórias. O que a Nomad está fazendo é continuar aprimorando sua estrutura para que, quando o momento certo chegar, o processo seja bem-sucedido. Além disso, a geração de caixa não elimina a possibilidade de novas rodadas de investimento, que podem ser estratégicas para acelerar o crescimento, oferecer liquidez a investidores ou atrair parceiros, sempre acompanhando as janelas de mercado favoráveis.
Fontes e links úteis
– Startups