Por que o Bitcoin está em queda? Incertezas econômicas e volatilidade dos mercados explicam recuo de 40%
O Bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, tem apresentado um desempenho turbulento nos últimos 12 meses. Atingindo um pico histórico de US$ 126 mil em outubro de 2025, o ativo digital sofreu uma desvalorização de aproximadamente 40%, fechando janeiro de 2026 em torno de US$ 79 mil. A volatilidade se acentuou na última semana de janeiro, quando a criptomoeda perdeu cerca de 10% de seu valor, de acordo com a ABC News.
Este recuo contrasta com o movimento de outros ativos e reflete um cenário de maior aversão ao risco nos mercados financeiros globais. Incertezas econômicas e geopolíticas, influenciadas por decisões governamentais e tensões internacionais, têm levado investidores a reavaliar suas posições em ativos considerados mais ousados. A queda expressiva do Bitcoin, seguida por outras criptomoedas como Ethereum e Solana, sinaliza um período de ajuste e reconfiguração no setor.
Fatores que impulsionam o recuo do Bitcoin
Analistas consultados pela ABC News apontam para um movimento generalizado de aversão ao risco como o principal motor por trás da queda do Bitcoin. A desaceleração do mercado de trabalho nos Estados Unidos, a inflação persistente acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve e as crescentes tensões geopolíticas em regiões como Groenlândia, Venezuela, Ucrânia e Irã contribuem para um ambiente de instabilidade.
As ameaças de Donald Trump de impor tarifas contra países como Canadá, Coreia do Sul e diversas nações europeias aumentaram o nervosismo no mercado. “Tudo o que vem acontecendo recentemente está definitivamente adicionando muita ansiedade no mercado”, comentou Christian Catalini, fundador do MIT Cryptoeconomics Lab, à ABC News. Ele explica que “qualquer coisa que torne os investidores avessos ao risco obviamente afeta o preço do Bitcoin”. Essa dinâmica de mercado sugere que, em tempos de incerteza, o fluxo de capital tende a migrar de ativos de maior risco para alternativas mais seguras.
Bitcoin oscila, enquanto ouro e ações mostram resiliência
Em contrapartida à performance do Bitcoin, outros ativos apresentaram resultados mais robustos no mesmo período. Entre fevereiro de 2025 e o final de janeiro de 2026, enquanto o Bitcoin acumulou uma queda de aproximadamente 7%, o índice S&P 500 registrou uma alta de cerca de 16%, e o Nasdaq avançou perto de 20%. O ouro, por sua vez, disparou mais de 60%, consolidando-se como um refúgio seguro em momentos de turbulência econômica.
A volatilidade intrínseca do Bitcoin chama atenção. A criptomoeda alternou meses de ganhos expressivos, como abril (+14,2%) e maio (+11,1%) de 2025, com quedas acentuadas em novembro (-17,5%) e janeiro (-10%). Em contraste, os índices S&P 500 e Nasdaq mantiveram-se em uma faixa de oscilação mais contida. Essa característica demonstra que, em períodos de estresse financeiro, o Bitcoin não tem atuado consistentemente como proteção de valor, apresentando um comportamento mais alinhado a ativos de risco e sensíveis à liquidez global.
Crise de identidade: a busca por um lugar no portfólio
O comportamento recente do Bitcoin evidencia uma fase de transição em sua narrativa de investimento. A tese de “ouro digital”, que pressupõe uma função de proteção de capital em cenários de incerteza, não se sustentou plenamente. “Os investidores, principalmente institucionais, estão em uma fase de decisão sobre qual categoria de ativo o Bitcoin deve ser encaixado”, observa Rony Szuster, analista-chefe do Mercado Bitcoin, ao Valor Investe.
Enquanto um consenso não é alcançado entre os grandes players do mercado, o Bitcoin tende a apresentar correlações variadas, ora comportando-se como reserva de valor, ora como ativo de risco. O movimento inicial de queda pode ter desencadeado a liquidação de posições alavancadas, intensificando a pressão vendedora. Steve Sosnick, estrategista-chefe da Interactive Brokers, ressalta que “há um limite natural para o quão alto pode subir”, sugerindo que movimentos de alta muito expressivos podem ser seguidos por correções significativas.
Perspectiva de longo prazo e a volatilidade inerente
Apesar das turbulências recentes, a trajetória de longo prazo do Bitcoin permanece ascendente. Nos últimos cinco anos, a criptomoeda registrou uma valorização de 96%, superando os 80% de ganho do S&P 500 no mesmo período. É importante lembrar que a história do Bitcoin é marcada por quedas expressivas; em fevereiro de 2022, por exemplo, o ativo digital sofreu uma desvalorização superior a 60%, padrão que se repetiu nos dois anos anteriores durante a pandemia.
Bryan Armour, da Morningstar, reitera que a volatilidade inerente ao Bitcoin torna a previsão de seu preço uma tarefa complexa. “A melhor coisa que os investidores podem fazer se quiserem se envolver com Bitcoin é conhecer suas limitações”, aconselha. “Eles não devem ter alta confiança em nenhum resultado específico.” Para investidores, compreender essa volatilidade e seus riscos associados é fundamental para uma tomada de decisão informada.